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Associações Sociais ou Proliferação de "Amanitas muscaria"

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cjseven 
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Associação XPTO

Pedido:
Somos uma IPSS, instituição particular de solidariedade social, sem fins lucrativos, cujo objectivo é promover um dos direitos fundamentais das crianças - XXXX XXXX XXXX.

Vimos por esta forma questionar-vos se no âmbito da responsabilidade social da XXXX seria possível desenvolverem um site para a associação, simples e numa ferramenta que nos permitisse actualizá-lo com facilidade.

No âmbito da lei do mecenato, poderíamos emitir recibo do serviço prestado como donativo, para obtenção de benefícios fiscais e poderíamos divulgar o vosso apoio, no nosso site e publicações.

Agradecendo a atenção que possam dispensar, ficamos a aguardar uma resposta e apresentamos nossos melhores cumprimentos, XXXX XXXX

-------------------------------------------

Resposta:

Boa tarde,

Não colocando em causa as boas intenções e idoneidade da vossa associação e dos respectivos membros, ela faz parte do volumoso número de instituições que proliferam como cogumelos por este país fora.

Infelizmente já sobram casos de muitas instituições que são criadas, não para proveito social, mas sim para proveito próprio - onde directores e assessores ganham uns bons milhares à custa da "responsablidade social" dos outros e muitas vezes camuflados pelos "fins não lucrativos".

A responsabilidade social da XXXX e de todas as empresas com "fins lucrativos" deverá consistir apenas na participação para o crescimento e desenvolvimento económico do país, e não na participação para a desresponsabilização do Estado e do Governo em matérias de sua responsabilidade, em troca de benefícios fiscais e de "divulgação do apoio" para alimentar egos empresariais.

Esta responsabilidade do Estado e do Governo deveria albergar todas as actividades que promovam o bem estar social e a protecção dos interesses das pequenas / grandes minorias que merecem todo o apoio sustentado pelas largas somas de impostos arrecadados (em vez de esbanjados vá se lá saber como...).

Enquanto, como sociedade, continuarmos a desresponsabilizar o Estado das suas funções, não haverá convergência social possível e continuaremos nesta "pescadinha de rabo na boca" chamada de ajuda / apoio social.

Por congruência com estes príncípios que são muito mais sociais do que aquilo que parecem, a XXXX não será uma alternativa para trabalhar gratuitamente em troca de benefícios sociais ou divulgação da marca.

Cumprimentos,

XXXX
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Pedro Lopes 
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hehehe! :P
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Eduardo Santos 
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well said! :)
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Carlos Gandra 
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Tenho de deixar um comentário mais extenso sobre isto amigo António :)

Como ponto prévio, discordo em absoluto do email que te foi enviado pela tal Associação, e quero deixar isto bem claro antes de passar verdadeiramente ao meu comentário sobre o assunto.

Agora sobre a tua resposta:
Ninguém é perfeito e existem algumas associações de responsabilidade social que não praticam essa mesma responsabilidade que advogam, mas o facto de existir o conhecido provérbio "pagam os justos pelos pecadores" não significa que o tenhamos de seguir, acho até que o devíamos contrariar por uma questão de justiça e até de moral.

Existem muitas, mas muitas, associações neste nosso pequeno país, que fazem um trabalho de tal forma louvável que todos os agradecimentos são poucos. E todas as ajudas são poucas. Não compactuo com a ideia de se colocarem estas instituições no mesmo saco de algumas (poucas) outras menos correctas, lamento mas não estou disponível para isso.

Desconheço a profundidade do "conhecimento de terreno" que tenhas das associações ou se tens uma ideia formada apenas por quem vê do lado de fora. Se assim é, recomendo-te tirares um Sábado para fazeres voluntariado numa associação, seja de crianças, idosos, abusados, deficientes ou animais. Tanto faz. Mas faz.

Até é possível que a Associação que te contactou enfie a carapuça com a tua resposta, mas também é possível que tenhas sido, ainda que sem intenção, bastante injusto. Dizer-se que os "manda-chuvas" das associações tiram é proveito próprio é complicado quando muitos destes tiram é do próprio bolso para as mesmas se manterem de pé, já que os donativos são poucos e quanto mais se passar esta ideia de serem "todos" corruptos, menos ajudas entram.

Tens todo o direito à tua opinião e respeito-a a 200%, mas acho também que tens o dever de não generalizar ou colocar tudo no mesmo saco, porque não é assim ;)
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cjseven 
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Boas Carlos!

Já me arrependi de ter postado isto. :D "Perdi" mais de 1 hora para te responder! :D

A tua opinião é igual à minha. A perspectiva é que é diferente.

Para mim não está em causa o esforço, trabalho, voluntariado daqueles que o fazem, mas sim as condições necessárias para sua existência:

- incompetência governativa (local, regional e nacional). Se os recursos do país fossem administrados com responsabilidade não  haveria lugar a associações de caridade, logo esta "discussão" não chegaria a existir.

- necessidades de auto-realização (http://pt.wikipedia.org/wiki/Hierarquia_de_necessidades_de_Maslow) por parte de quem as cria. Já sei que isto pode ferir susceptibilidades e eu nao sou ninguém (longe de mim) para julgar alguém em particular, mas quem garante que os actos de altruísmo não são na verdade actos de egoismo, na medida em que para satisfazer as suas necessidade de auto-realização, dedicam-se à filantropia? Não será por acaso que muitas associações, nomeadamente as mais importantes, são lideradas por pessoas que claramente já satisfizeram os níveis mais baixos das necessidades e nunca se viram incluídas nos grupos (pequenas minorias) que "protegem".

A motivação da resposta nunca foi faltar ao respeito / ser injusto ou colocar todas as instituições, associações e até intenções no mesmo saco.

Também não fiz um ataque pessoal à instituição nem fiz qualquer juízo de valor da sua actividade. Aliás comecei logo por esclarecer isso.

Apenas apresentei um princípio global pelo qual me guio para justificar o meu NÃO. Ironicamente apenas referi implicitamente o ridiculo de apelar ao sentido de responsabilidade social para obterem um serviço de borla e darem em troca "benefícios fiscais" e publicidade "caridosa", muito em voga nos dias que correm.

Ao nível particular louvo todos aqueles que dispensam o seu tempo em benefício do próximo.

Ao nível global (aka macroeconómico) julgo que 90% dos movimentos associativos de carácter social são um dos reflexos de uma sociedade que não exige a devida responsabilidade ao(s) Governo(s) e servem para tapar "buracos" dessa falta de responsabilidade.

Existem cada vez mais associações para tudo e mais alguma coisa e, cada vez mais, essas associações têm um carácter vitalício. Ou seja, os problemas mantêm-se em vez de ser resolvidos e as associações mantêm-se em vez de ser dissolvidas (não o são porque os problemas não são efectivamente resolvidos).

E por isso temos associações que competem, por exemplo, para dar de comer aos sem-abrigo de Lisboa. Louvo o esforço (por vezes se calhar ingénuo e nalguns casos também egoísta disfarçado de altruísmo) dos voluntários e não voluntários, mas crítico totalmente este regime de dar de comer em vez de ensinar a pescar (aka resolver os problemas >> exigir aos bananas que regem os contributos dos cidadãos que FAÇAM e que não passem a sua responsabilidade para a sociedade civil em formato de IPSS!).

Enquanto continuarmos com este regime de criação de Associações Vitalícias, por um lado apenas retiramos responsabilidade a quem a deveria ter e, por outro lado, mantemos as situações em que o "justo paga pelo pecador".

Compreendo que esta posição possa ferir algumas susceptibilidades. No entanto, é apenas uma perspectiva diferente daquela que nos é dada "a comer" e está enraizada na sociedade.

Da mesma forma que gostava de ver um dia os sindicatos a "mandar vir" para dentro das suas próprias organizações e exigir a retirada de direitos adquiridos a muitas maçãs podres que as constituem, também gostava de ver o Banco Contra a Fome com sacos de hipermercado à frente das Comemorações dos 100 Anos da República ou então ao lado da Assembleia junto ao parque automóvel "estadista". E fico-me por estes exemplos, que alguns chamam demagógicos, mas haveriam muitos mais...

Abraço ;)

P.S. Nunca fiz voluntariado à excepção do meu tempo de escuteiro. :D Prefiro no entanto ser rotulado de "fdp insensível" que prefere o "ensinar a pescar" e, na melhor oportunidade, ajuda alguém directamente, do que "caridoso hipócrita" que prefere a manutenção do estado actual das coisas, enquanto lava a sua consciência com os seus actos "altruístas".

P.S.2 Estas palavras não são dirigidas a ninguém em paticular.

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Carlos Gandra 
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Agradeço o "tempo perdido" na resposta :grin: até porque, concordando mais ou menos com as tuas opiniões, não deixas de as dar e de as fundamentar como ninguém ;) Mas sabes que também sou muito directo e neste assunto em particular, pegando no teu "toque de humor" dos Amanitas muscaria então faço parte do reino Fungi.

Claro que se não houvessem problemas não haviam associações para os resolver ;) E também concordo que não se devem só tratar dos problemas do presente mas fazer algo por eles no futuro. Pegando num exemplo concreto da minha área de acção, eu sei que alimentar um bicho hoje não faz absolutamente nada para impedir que outro amanhã tenha fome. Era melhor gastar os recursos a evitar que nascessem mais do que alimentar os que já cá estão.

Mas aí é que vem outra questão: aos que já existem faz-se o quê, deixa-se morrer à fome?

Por isso e em jeito de conclusão, estou completamente de acordo contigo no que diz respeito ao Estado, aos governantes e ao que (não) fazem. Não concordo, porém, que se faça disso uma justificação para assobiar para o lado.

Abraço ;)
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cjseven 
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pegando no teu "toque de humor" dos Amanitas muscaria então faço parte do reino Fungi.

:D Eu tb devo fazer parte desse reino mas da família do bolor! ;)

As associações em defesa dos animais estão numa "prateleira" à parte. Assim como outras.

O meu foco situa-se mais nas causas humanitárias dedicadas ao homosapiens que proliferam por aí - realço novamente que não quero fazer juízos de valor de nenhuma em particular mas apenas questionar a pertinência da existência.

De qualquer forma, certamente concordas que o Estado devia ter um papel muito mais pró-activo neste assunto do que apenas criar canis para abater os animais abandonados.

Legislar efectivamente para diminuir o número de abandonos e fazer cumprir essa legislação.

Legislar para diminuir os maus tratos, punir quem os pratica e educar para que não se repita.

O teu/vosso trabalho é sem dúvida de louvar. E digo isto sinceramente!

Abraço,
Antonio
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Carlos Gandra 
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De qualquer forma, certamente concordas que o Estado devia ter um papel muito mais pró-activo neste assunto do que apenas criar canis para abater os animais abandonados.

Legislar efectivamente para diminuir o número de abandonos e fazer cumprir essa legislação.

Legislar para diminuir os maus tratos, punir quem os pratica e educar para que não se repita.

Concordo claro.

De qualquer forma apenas utilizei este exemplo por ser o que melhor conheço e do qual faço parte, obviamente não tenho maior ou menor valor por isso, nem sou o dono da verdade por estar neste meio. Partilhei a minha visão sobre um assunto que é importante, muito importante, na nossa sociedade e espero que quem nos leia tire algum proveito das nossas palavras.

Abraço ;)
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Tiago 
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cjseven,

Fiquei admirado como respondeste ao e-mail. Parece-me uma reposta totalmente inadequada. É possível negar o apoio sem emitir um juízo de valor, que pelo que leio não tens dados para o fazer. Até compreendo que tenha sido uma "desabafo", mas na mesma inadequado.

As questões sociais não se resumem ao que se estuda nas cadeiras de gestão. A responsabilidade social  e o papel do estado e das empresas é complicado de discutir e não nos leva a lado nenhum, é preciso agir adequadamente e com resultados práticos, cheio de discussões inúteis e teóricas está este país cheio.
 
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cjseven 
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Tiago,

Desculpa mas eu não fiz juízos de valor sobre a instituição em questão. Faço sim um comentário com base na minha opinião política osbre este regime que se desresponsabiliza passando as suas responsabilidades para IPSS.

Quanto a cadeiras de gestão, já não as tenho há muitos anos, por isso já nem sei o que lá dão. ;)

A responsabilidade social das empresas, para mim, é simples: criar riqueza para que o país se desenvolva.

Se forem criadas as condições para isto, não chegamos ao ponto de ter de dizer que as empresas têm de ter a outra "responsabilidade social" como por exemplo contribuir para ajudas em troca de benefícios fiscais e publicidade caridosa - isto para mim é simples hipócrisia!

Eu costumo sempre argumentar a minha opinião, tanto para fugir à "teoria" como para ajudar outros a fugir aos dogmas. Não sou nenhum sábio mas tenho a minha opinião política.

Se tens opinião contrária, por favor apresenta os teus argumentos agora não digas simplesmente que isto é uma discussão inútil e teórica por que não é.

Abraço,
Antonio
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Tiago 
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António,

Não quis dizer que fizeste um juízo de valor sobre a instituição em causa, quis sim dizer que o fizeste sobre todas IPSS.

Tens um teórica classica que defende que as empresas dão lucro e pagam imposto sobre isso, e que esse imposto tem um carácter distributivo pela sociedade. Correcto?

Penso que isto hoje em dia não chega, é preciso ter um papel mais activo no meio que estás inserido. A tua empresa está inserida num meio envolvente e depende dele para o sucesso. Como tal julgo que é interessante que a tua empresa se envolva no mesmo para além de prestar um serviço com vista ao lucro. Manter um saudável meio envolvente também te pode proporcionar resultados mais vantajosos.

A maneira como te envolves não vou discutir, depende do que podes e achas que deves fazer, mas acho sinceramente que deves faze-lo.

A questão do inútil e teórica foi desabafo, discute-se de mais e faz-se de menos...

É a minha visão.
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spec 
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Há uma IPSS de recuperação de toxicodependentes perto de minha casa e vejo bem que os donos daquilo à 2 anos não tinham nada e hoje tem um BMW X6, uma grande mota, uma quinta e muitas outras coisas... recebem muito dinheiro do estado apenas por abrigarem pessoas com problemas de droga, não os tratam muito bem, mas pelos menos afastam-os da droga... Depois todos os dias colocam-os a pedir de fabrica em fabrica e nas feiras... é uma máquina de fazer dinheiro.

Ninguém está atento a isso, há muita gente a enriquecer com a desgraça dos outros...



António, neste caso parece-me que é uma instituição de defesa das crianças, certo?

Envia-me o mail ou o contacto por PM que eu faço lhes o site...
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cjseven 
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Tiago,

Não falei em todas. Apontei uma percentagem: 90%. Acho sinceramente que 90% das IPSS e associações de caridade não deviam existir pois são formas de desresponsabilizar o Estado e são formas de "endrominar" o voluntário e o contribuinte.

Se todas as emrpesas pagam imposto ao não, isso é uma responsabilidade das mesmas e uma responsabilidade do Estado certificar-se do mesmo.

Se uma empresa contribuir para o crescimento económico de uma região (e crescimento económico leva ao desenvolvimento) precisa de ter mais alguma responsabilidade social? Quem diz isso são esses "tangas" com a mania do socialismo (aka distribuidores de riqueza) que nunca criaram uma empresa com o seu próprio dinheiro.

O que eu vejo é muita IPSS e intenção caridosa cobrir outro tipo de interesses e aí "salta-me a tampa".  Não alinho com este dogma / sistema instituído.

@spec,

envio-te PM

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Rpinto 
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Estive com muita atenção a ler este tópico hoje a tarde e permitam-me que dê a minha "opinação" sobre o tema.

cjseven, penso que não se deve generalizar da forma como fizeste, o impacto e a importância das instituições. Tendo tu sido escuteiro (e queres melhor exemplo de pessoas que trabalham "de borla" e sem segundas intenções), nunca te deparaste com a realidade, pior a cada ano que passa, de muitas famílias portuguesas? Eu sou escuteiro e lido com isso desde que me lembro. O problema reside no tipo de ajuda que é feita!
O problema das IPSS reside na cabeça de cada um! É tão mau uma pessoal querer ajudar "os pobrezinhos" apenas no dia de Natal porque vai ter uma falsa sensação de trabalho cumprido, como no lado dos supostos necessitados recusarem roupa porque não é de marca, ou irem à paróquia buscar comida quando depois durante a semana jantam fora! Eu já vi isto! Ridículo? Absolutamente.

Gente aproveitadora existe em todo lado, mas não devemos generalizar porque também vejo muita (real!) necessidade de algumas famílias que quase dependem das associações para não ter que ir pedir para a rua.

No mesmo prato podem-se incluir também os desempregados que recusam trabalho apenas para estar a viver do subsidio de desemprego, a criação de Fundações por parte de alguns notáveis da nossa sociedade que depois geram milhões (mas sempre a apregoar a responsabilidade social claaaaro), e outros tantos exemplos. Resumindo: há necessidades! Deve é ser dada ajuda a quem merece e a quem realmente depende dela para viver, e isso sim é difícil de controlar.

Queria só deixar um reparo ao que disse acima: "Se os recursos do país fossem administrados com responsabilidade não  haveria lugar a associações de caridade, logo esta "discussão" não chegaria a existir."
Isso é como diz o outro..."E se a minha avó tivesse rodas, era um tractor"  :o
Obviamente que é verdade o que diz! Mas dado que não vivemos nessa realidade, não podemos esperar que seja o Sócrates ou Teixeira dos Santos que vá porta a porta das pessoas para as ajudar.

Cumprimentos
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cjseven 
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Queria só deixar um reparo ao que disse acima: "Se os recursos do país fossem administrados com responsabilidade não  haveria lugar a associações de caridade, logo esta "discussão" não chegaria a existir."
Isso é como diz o outro..."E se a minha avó tivesse rodas, era um tractor"  :o
Obviamente que é verdade o que diz! Mas dado que não vivemos nessa realidade, não podemos esperar que seja o Sócrates ou Teixeira dos Santos que vá porta a porta das pessoas para as ajudar.

Conheço essa mas acaba em camião TIR. :D

Eu sei que não vivemos essa realidade mas é preciso marcar posição em vez de andarmos todos "vendidos" à necessidade de IPSS para sustentar a pobreza do país, a burocracia das instituições públicas e a incompetência de quem nos governa (seja quem for).

Por isso, a minha posição não é bater palmas ao volumoso número de IPSS que andam por aí mas sim vaiar e responsabilizar os responsáveis por chegarmos à situação em que elas são necessárias.

Eu não faço generalizações nem declarações de intenções dos outros. Apenas reflicto sobre o actual estado das coisas e chego à minhas conclusões. IPSS não podem ser encaradas como soluções vitalícias para os problemas.

Cumps,
cjseven