Como O Google Pode Ter "Previsto" A Vitória De Medina Em Lisboa

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Agora que já exercemos o nosso direito de voto e conhecemos todos os rostos que vão gerir o futuro das nossas cidades nos próximos quatro anos, deixem-me fazer a seguinte pergunta:

Imagine que amanhã ao sair de casa para o trabalho, alguém lhe diz que a vitória de Fernando Medina em Lisboa foi “manipulada” pelo Google à vista de todos nós.

Acreditaria?

Ou então que, embora tenhamos sido nós a fazer a cruz dentro do quadrado do candidato, o nosso voto foi “usado” por terceiros - que sabem como tirar partido da indexação do Google.

Ficaria assustado?



A verdade é que isto não são meras suposições, mas antes uma provável realidade.

Se recuarmos até 2014, um estudo levado a cabo por Robert Epstein, investigador da Universidade de Harvard, já suspeitava que o Google tinha poderes para definir o resultado de um quarto das eleições de um país.

E se olharmos para as eleições autárquicas do passado fim-de-semana, parece que o algoritmo de ranking do Google voltou a fazer das suas.

Mas porque é que isto aconteceu?

Basicamente, porque o Google hoje em dia é a nossa principal fonte de informação.

Qualquer dúvida, questão ou problema que tenhamos, o nosso instinto diz-nos para ir ao Google procurar por mais informações.

E para o bem ou para o mal, aprendemos a confiar nos resultados de pesquisa que aparecem na primeira página do Google.

Sobretudo nos três primeiros resultados de pesquisa, uma vez que 75% dos cliques orgânicos acontecem nestes links.

O que significa que, independentemente do tópico, é grande a probabilidade do conteúdo que aparecer na primeira página do Google conseguir moldar as opiniões ou influenciar as decisões dos eleitores.

Portanto, será assim tão absurda a ideia de que o Google “manipulou”, à vista de todos, a vitória de Fernando Medina em Lisboa? [Clique aqui para continuar a ler...]

Diogo Pinto

Administrador
Hmmm, ok, é a tua opinião. Mas terminar assim é um longshot:

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Se o que estiver indexado no Google for positivo e aparecer na primeira página do Google, é provável que fique mais perto de ganhar as eleições, tal como aconteceu com Fernando Medina em Lisboa.

1. Pegaste numa cidade e extrapolaste o resultado para qualquer cidade/freguesia do país. Grande problema estatístico imediato: a amostra.

2. Vamos pegar no caso do Isaltino Morais? Segundo resultado: "condenado a 7 anos de prisão".

3. Estás a assumir que não existem afiliações políticas em Portugal, enraizadas na nossa cultura - outro erro de estatística. O partido do votador não pode ser removido da equação da sua influência na decisão de voto.

4. Comparar o processo democrático no Brasil e US com o português é falacioso. Numa freguesia em Portugal é muito fácil o candidato chegar a todos os residentes, face ao tamanho de cada uma.

5. Na minha freguesia, 17% dos residentes tinham +65 anos em 2011. Atualmente estima-se que esse número tenha aumentado para cerca de 19 ou 20%. Qual a penetração das tecnologias em residentes com idade a superior a 65 anos?

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NOTA: Não quero dizer que o Google não influencie o resultado, porque uma boa campanha de SEO tem o poder de o fazer. Mas acho falacioso associar uma boa campanha de SEO a resultados diretos que aproximem os candidatos à vitória. Acho que o PAN, independentemente de qualquer tipo de estratégia de SEO que utilizasse na minha freguesia, não ultrapassaria os 2% que atingiu.
Diogo, pontos pertinentes que tornam este tópico sobre o "impacto do Google e SEO nos resultados das eleições" numa óptima sugestão para uma tese de mestrado ou doutoramento  :grin: :obrigado:

Diogo Pinto

Administrador
Diogo, pontos pertinentes que tornam este tópico sobre o "impacto do Google e SEO nos resultados das eleições" numa óptima sugestão para uma tese de mestrado ou doutoramento  :grin: :obrigado:

Acho que qualquer informação colocada na internet deve ter em conta a correção da mesma. Criar (des)informação baseada em estudos em populações totalmente diferentes da portuguesa, sem sequer ter um olhar crítico sobre a informação, devia ser nossa responsabilidade combatê-la.

Tenho pena que a motivação seja a criação de uma tese de "mestrado ou doutoramento", quando a informação está disponível em três cliques e não demoraria mais de 6 horas a recolher e criar um post mais completo e informado. Mas se calhar isso é muito tempo!

Mas eu admito que tenho os critérios elevados perante a realidade da comunidade Portuguesa de webmasters.